As primeiras Exposições da MOSCA, que aconteceram a partir de 2006, tiveram foco em fotografias still de longas-metragens. Entre eles, O CRIME DELICADO, de Beto Brant, na exposição da fotógrafa Priscila Prade. Essa programação conectava os salões do antigo cassino de Cambuquira (espaço anexo ao cinema) à sala de exibição com suas sessões de curtas-metragens.
Nos anos seguintes, logo que o público assimilou as propostas de diálogo regional da mostra, e ela mesma pode se autodefinir, as exposições mudaram de rumo. A organização do evento passou a receber uma série de fotografias, ilustrações, esculturas, trabalhos escolares ou acervos particulares; como séries para preencher os salões, especialmente o público local e os artistas cambuquirenses de todas as idades.
Sem nenhum orçamento para tal, as exposições da MOSCA são montadas com os materiais e painéis disponíveis, a iluminação possível e o olhar de ocupação de espaços da artista plástica Bernadette Guimarães, diretora do Espaço Cultural, e maior entusiasta das exposições e dos artistas amadores. Assim como Bernadette, até a 8ª edição, Mara Colucci, bibliotecária, artesã e figura ímpar de Araraquara-SP, falecida em 2014, foi também fundamental para as montagens espontâneas e diversas (a vontade é de escrever malucas, ou mágicas, pela rapidez com que apareciam), que aconteceram no cassino, também ocupado pelo espaço do Café da MOSCA, bar e ponto de encontro da mostra, que já recebeu performances, shows, karaokês e projeções.
O histórico salão, e o público da MOSCA, viu artistas cambuquirenses amadurecerem seus trabalhos, como Felipe Lemes, que hoje também trabalha na produção da mostra e traz uma HQ para o espaço expositivo on-line. Após 15 anos é possível olhar pra trás e notar quantas pequenas exposições - simples, complexas, ou ainda altamente improvisadas, montadas em um dia - formam um mosaico de experiências e trocas humanas que é muito característico da mostra. E o quanto estas exposições, a partir desta percepção, devem ser escritas com E maiúsculo na programação.
Em 2020, na MOSCA ON LINE, o artista visual, programador e cineasta, Roger Velloso, que também apareceu para trocar com a MOSCA por conexões afetivas, é quem monta os espaços ao criar e desenhar a plataforma mostramosca.online, sede das exibições de filme e das exposições do ano. Desta vez, elas não terão a vista da mata da Mantiqueira de Minas, como no espaço físico em Cambuquira, mas estarão tão vivas quanto ela.
A costura de temas e artistas, produzida nesta edição por Ananda Guimarães, é, assim como antes uma resposta ao contexto, à figuras que orbitaram no ano e que trazem agora suas contribuições criativas à MOSCA.
ELA VEM À MEIA NOITE é uma HQ criada por Felipe Silva Lemes para a exposição da 13ª MOSCA, edição online. O ilustrador cambuquirense, e fã da sessão da Meia Noite, homenageia a sessão temática mais antiga da MOSCA, que existe desde 2005, 1ª edição da mostra, e tem atraído um público cativo desde então.
Nesta edição, a Sessão ganha status de Mostra, com três programas de filmes, ilustrações e camisetas exclusivas, além da HQ do Lipe.
ENCONTROS INVISÍVEIS
Cambuquirense, Cayque Castro se mudou para São Paulo há 6 anos. Aos 12 anos começou a fotografar em uma atividade da escola. Hoje, Cayque tem 15 anos e faz sua primeira exposição na MOSCA. A ideia era ter suas fotos no salão do antigo cassino de Cambuquira, mas a mudança de planos se fez necessária por enquanto.
E uma vez que a mostra é on-line, e as plataformas e redes são os encontros possíveis, vale destacar a descrição roubada do perfil de instagram do jovem autor, que fala muito sobre o processo, a proposta e a essência do trabalho.
Fotos autorais
Usando uma Canon T5
*Vendo fotos na rua
E em tempos de Corona vendo fts online
Para a curadoria dessa exposição online, a MOSCA convidou Mariane Goldberg, que tem experiência não apenas em produção de exposições de fotografia, como em oficinas em Escolas e ONGs, com crianças e adolescentes em várias regiões do país.
OCUPAÇÃO CORPAS QUE GRITAM NA 13ª MOSCA
por Debora Ambrosia e Tom Grito
A ocupação é formada por uma exposição audiovisual, VERÃO PARA TODXS XS CORPXS e pela oficina de CRIAÇÃO POÉTICO PERFORMÁTICA.
Debora Ambrosia, cambuquirense baseada no Rio de Janeiro, participou de oficinas de produção audiovisual nas primeiras edições da MOSCA e agora retorna à mostra como artista.
Débora Ambrósia (@deboraambrosia) é mulher preta, mãe e feminista.
Militante do movimento negro e antigordofobia. Participa da produção do Slam das Minas RJ, e faz parte das Panteras Negras Rj. Além disso, é trabalhadora autônoma, vende glitter, vende cachaça, vende pizza, faz coffee break, happy hour, festa, evento, sarau, anima o rolê.
Tom Grito é poeta (@tomgritopoeta)
Dedica-se à poesia falada (spoken word/poetry slam) e às micro-revoluções político-sociais onde a poesia incinera, afaga, afeta e transforma.
Pessoa não binárie transmasculine.
Entusiasta da cena de poetry slams e saraus de poesia no Brasil
CAMBUQUIRA: CARTOGRAFIAS AFETIVAS
As cidades são, antes de tudo, imaginadas. Sua paisagem é sempre enquadrada conforme as lentes da cultura, profundamente marcada pela nossa experiência afetiva sobre ela. Cambuquira, cidade sede da MOSCA, corresponde a uma espécie de morada dos sonhos, junto às estâncias balneárias de Lambari e Caxambu, já que suas ruas, casarios e geografia viajavam impressos sobre um cartão postal. A presente exposição, nesse sentido, convida o público da Mostra a compor uma cartografia afetiva e sensível de Cambuquira, já que nesse ano não podemos ocupar os lugares construídos e tocá-los com nossas mãos.
A exposição propõe-se colaborativa e convida:
Se você possui algum registro fotográfico da cidade, compartilhe conosco e nos ajude a compor essa narrativa visual sobre ela.
O público pode enviar postais e fotografias, acompanhadas de coordenadas afetivas em forma de texto ou áudio. A exposição será então montada no site ou nas redes sociais da @mostramosca com a reunião de memórias sobre Cambuquira.
A exposição Cambuquira: cartografias afetivas foi idealizada para a 13ª MOSCA pelo Museu Dr. Américo Werneck (MAW) em parceria com a pesquisadora cambuquirense Vanessa Manes.
A equipe responsável pela curadoria, seguindo as instruções deixadas por Arjun Appadurai, pretende traçar a biografia de tais coisas, a partir das lembranças compartilhadas.
O Museu Dr. Américo Werneck (MAW) é um museu comunitário, fundado em Lambari/MG, no ano de 1996; tendo como objetivo salvaguardar as memórias – materiais e imateriais – da cidade e da região, além de fomentar a divulgação e o debate das possíveis relações que podemos fazer entre elas, a partir da realidade das pessoas e suas percepções de vida e projetos para o futuro. Um museu que se constrói continuamente como um lugar de encontro para que as pessoas possam (re)conhecer-se, aprender e ensinar suas histórias, suas culturas, suas identidades, suas vidas. Para tanto, o foco de atuação do museu são as ações educativas, em especial nas escolas, que permitem aos indivíduos conectarem suas histórias a um olhar poético, sensível, crítico e plural sobre o território em que vivem.
Francislei Lima da Silva é presidente do MAW, doutorando em História da Arte pelo PPGHIST/IFCH/UNICAMP e bolsista CAPES, desenvolvendo suas pesquisas com a temática das imagens da água em Minas Gerais.
Aline Guerra é vice-presidente do MAW, professora da rede pública de MG e mestra em educação pela UFLA, tendo como foco de suas pesquisas as Congadas e sua relação com a produção das identidades, diferenças, territórios e saberes em Lambari e região.
Vanessa Manes é antropóloga cambuquirense, atualmente morando em São Paulo, pesquisa acervos públicos e particulares (bibliográfica, iconográfica e material cartográfio), conservação de documentos e elaboração de acervo, tendo publicado entre seus artigos “Processo de Urbanização da Cidade de Cambuquira-MG”. Na 9ª MOSCA, em 2014, propôs e realizou a exposição "Memórias das Águas Virtuosas de Cambuquira"
Para colaborar com a cartografia afetiva de Cambuquira, envie seus postais, fotos, textos, notas e/ou áudios para email producao.mostramosca@gmail.com com o assunto CARTOGRAFIAS AFETIVAS.
1º DOC - CLARA CRISTINA DE OLIVEIRA DOCUMENTA DR. HILTON ROCHA
A artesã Clara Cristina de Oliveira teve a iniciativa de homenagear a memória de um cambuquirense notável, o Dr. Hilton Rocha, um médico humanista, como define o título do filme. Através de depoimentos, o curta-metragem documenta a relação entre o médico e seus antigos conhecidos e pacientes, e conta também a história da autora, que em 2020 realiza seu primeiro documentário, e abre espaço para um novo tipo de Exposição audiovisual na Mostra MOSCA, batizada de 1º DOC.
PARTICIPE DAS EXPOSIÇÕES DA MOSCA NA PLATAFORMA MOSTRAMOSCA.ONLINE. ACESSO GRATUITO.